A terceira noite de programação do 15º Curta Canoa levou ao público uma experiência marcada pela força da ancestralidade indígena e pela potência da relação entre cinema, território e formação de plateia. O destaque da noite foi a exibição do filme cearense Sertão à Deriva, dirigido por André Moura Lopes e Mateus Uchôa.
A obra, reconhecida por seu caráter imersivo e expandido, já integrou a programação do Ocupa MIS 2024, em Fortaleza, onde foi apresentada em formato de pentáptico em uma sala imersiva. Nesse dispositivo, imagens do cotidiano, ritos e cantos ancestrais do Pajé Cícero Potyguara compõem uma narrativa sensorial que estabelece uma ponte fílmica entre o sertão de Crateús e os verdes mares de Fortaleza. A encantaria presente na força do Pajé materializa um espaço-tempo próprio, afirmando o sertão e o litoral do Ceará como território indígena. No Curta Canoa, o filme teve sua primeira exibição em formato convencional.
Exibição de “Sertão à Deriva”, filme integrante da mostra competitiva do 15º Curta Canoa em 30/11/2025.
Foto: Eudaldo Monção Jr./ Memorabilia Filmes e Produções Culturais.
A sessão do festival ganhou ainda um momento singular: crianças presentes passaram a acompanhar e entoar, espontaneamente, os cânticos indígenas reproduzidos no filme. O gesto coletivo transformou o ambiente e revelou não apenas a potência expressiva de Sertão à Deriva, mas também a atuação do Curta Canoa no despertar do interesse de crianças e adolescentes pelo cinema, estimulando novas relações de escuta, pertencimento e fruição audiovisual.
O episódio também evidenciou a capacidade da obra de dialogar com públicos amplos e diversos, reafirmando o 15º Curta Canoa como um espaço de encontro, sensibilização e valorização das múltiplas expressões do audiovisual brasileiro. A obra “Sertão à Deriva” é um projeto aprovado no 13º Edital Ceará das Artes / Paulo Gustavo – Secult/CE e no Ocupa MIS 2024 (Multilinguagens).
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EUDALDO MONÇÃO ROCHA JÚNIOR
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