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Quando o silêncio fala alto: como o atraso de fala nas crianças pode aumentar a ansiedade das mães

Estudo aponta que mães de crianças com atraso de fala apresentam níveis significativamente mais altos de ansiedade e tendem a adotar posturas superprotetoras

JúLIA BOZZETTO
28/10/2025 20h03 - Atualizado há 1 mês
Quando o silêncio fala alto: como o atraso de fala nas crianças pode aumentar a ansiedade das mães
Divulgação

O atraso de fala não é apenas uma questão de desenvolvimento infantil, ele reverbera na dinâmica emocional de toda a família. Um estudo publicado no Brazilian Journal of Otorhinolaryngology revelou que mães de crianças com atraso de fala têm níveis de ansiedade mais elevados e demonstram atitudes mais superprotetoras em relação aos filhos. A pesquisa, que avaliou 210 mães de crianças entre 3 e 6 anos, comparou dois grupos: um com atraso de fala e outro com desenvolvimento normal da linguagem.

Os resultados mostram que 56% das mães de crianças com atraso apresentavam algum grau de ansiedade, contra 45% no grupo controle. Além disso, o índice de comportamento superprotetor foi significativamente mais alto entre essas mães. “A ansiedade materna e a superproteção podem criar um ambiente de comunicação restrito, em que a mãe tende a antecipar as necessidades da criança e, sem perceber, reduz as oportunidades para que ela use a fala como forma de expressão”, explica a fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer, especialista em atraso de fala.

Segundo Angelika, essa dinâmica pode transformar o atraso em um ciclo difícil de romper. “A mãe, ao se preocupar com a dificuldade do filho, passa a intervir mais, responder por ele ou até evitar situações sociais para poupá-lo de frustrações. Isso aumenta a ansiedade de ambos e limita ainda mais o estímulo linguístico”, diz.

O estudo também sugere que fatores psicossociais, como baixa exposição à linguagem, poucas interações familiares e uso excessivo de telas, estão associados ao atraso. Para a especialista, o olhar atento ao bem-estar emocional da mãe é tão importante quanto o acompanhamento da criança. “Cuidar da saúde mental materna é parte do tratamento. A fala é uma via de mão dupla: quando a mãe se sente acolhida, consegue criar um ambiente mais seguro e afetivo para o filho se comunicar.”

Angelika reforça que o diagnóstico precoce e o apoio profissional, que envolvem tanto a criança quanto a família, são essenciais para interromper o ciclo de ansiedade e favorecer o desenvolvimento da linguagem. “A comunicação começa pelo vínculo. Antes de esperar que a criança fale mais, é preciso que ela se sinta ouvida, e para que isso aconteça a mãe precisa ser validada e preparada”, finaliza.


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JÚLIA KLAUS BOZZETTO
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