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Narrar para Transgredir leva educação sexual e jornalismo às periferias de Florianópolis

2ª Edição do Narrar Para Transgredir realiza oficinas para estudantes da Marista Escola Social Lucia Mayvorne, localizada no Maciço do Morro da Cruz.

DANIELA VALENGA
28/10/2025 14h07 - Atualizado há 1 mês

Narrar para Transgredir leva educação sexual e jornalismo às periferias de Florianópolis
Bianca Taranti/Portal Catarinas.

Em um contexto de aumento da desinformação e de ataque aos debates sobre gênero e sexualidade nas escolas, o projeto Narrar Para Transgredir oferta oficinas de educação sexual e comunicação social para adolescentes e jovens das periferias de Florianópolis. Em segunda edição, promovida pela Associação Portal Catarinas com o apoio da Prefeitura Municipal de Florianópolis, participaram estudantes entre 14 e 18 anos da Marista Escola Social Lucia Mayvorne, localizada no Maciço do Morro da Cruz. A partir de diálogos sobre assédio sexual, contraceptivos, direitos das pessoas LGBTQIA+, entre outros, os jovens produziam conteúdos jornalísticos que serão publicados no site do projeto.


Ministradas pela jornalista Paula Guimarães e pela assistente social Nicole Ballesteros, as oficinas mesclam a pedagogia feminista de bell hooks e a emancipatória de Paulo Freire. Essas metodologias reconhecem as experiências e conhecimentos das e dos jovens ao criar um espaço que valoriza suas vivências.


“Promover a educação sexual aos jovens, por meio de oficinas, reforça a compreensão de que eles, elas e elus são parte ativa das transformações sociais no enfrentamento das desigualdades de gênero, raça e classe social. Esses espaços se tornam impulsionadores de novas práticas sociais”, destaca Nicole.


Um relatório do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa), publicado em 2022, indica que há uma tendência de aumento da gestação infanto-juvenil no Brasil. O estudo demonstra a necessidade de fornecer educação sexual abrangente, apoio social e serviços de saúde de qualidade para meninas adolescentes, principalmente as vulnerabilizadas social e territorialmente. No entanto, essa realidade ainda está longe de ser efetivada. “Adolescentes e jovens têm sido vítimas do cerceamento do direito à educação sexual e à informação. O projeto busca romper com o pânico moral criado em torno dos temas de gênero e sexualidade e mostrar que falar sobre eles é garantir direitos básicos”, ressalta Paula.


Por meio dessa atuação, o Catarinas atua para contribuir com o combate à desinformação na adolescência e no início da juventude, somando esforços para reduzir a vulnerabilidade e a exposição à violência sexual, à gravidez precoce e às infecções sexualmente transmissíveis. Além disso, o projeto promove o acesso a informações que possibilitam aos jovens tomar decisões conscientes e informadas sobre seus corpos e suas vidas.


“A realização do Projeto Narrar para Transgredir na escola proporcionou um espaço seguro de formação, trocas e compartilhamento para os estudantes sobre a temática da educação sexual, além de contribuir nas práticas de escrita com uso das tecnologias e criticidade”, descreve Maria Antonia, assistente social.

Educação sexual é um direito


A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) reconhece a educação sexual como essencial. Com base em uma análise de práticas ao redor do mundo, a Unesco afirma que a educação sexual ajuda jovens a se tornar mais responsáveis em sua atitude e comportamento no que se refere à saúde sexual e reprodutiva, além de combater a evasão escolar de meninas provocada por gravidez ou casamento precoce.


Entre os recursos didáticos pedagógicos criados exclusivamente para as oficinas do Narrar Para Transgredir está o baralho com cartas temáticas ligadas à educação sexual, gênero e saúde, idealizado pela ministrante Nicole. Composto por mais de 30 palavras e expressões comuns entre os jovens, o baralho traz questões que, segundo a assistente social, nem sempre são tratadas com a devida responsabilidade.


“Os jogos, além de lúdicos, são ferramentas educativas, que possibilitam aproximar as experiências entre as facilitadoras e estudantes, criando assim, um ambiente descontraído, seguro e de confiança, permitindo uma discussão aberta sobre diversos temas sem tabus”, explica a idealizadora.

Adolescentes produzem pautas jornalísticas


Um dos objetivos do projeto é a elaboração de matérias jornalísticas. As temáticas envolvendo educação sexual são transformadas em pautas jornalísticas que impulsionam os adolescentes a se aprofundarem nos assuntos. Nas oficinas, as e os estudantes aprendem os princípios básicos para produção de uma notícia, como apuração, checagem e escrita. Após selecionar a pauta com apoio das ministrantes, produzem um conteúdo que é veiculado no Portal Catarinas.


“O jornalismo tem o poder de transformar jovens em protagonistas de suas próprias narrativas. Ao aprender a investigar, questionar e contar histórias, eles desenvolvem uma perspectiva crítica sobre a sociedade e sobre a própria vida”, descreve Paula. Além disso, através do desenvolvimento de habilidades na área da comunicação, o projeto apoia a inserção dos participantes no mercado de trabalho.


Nesta edição, as pautas desenvolvidas pelos adolescentes abordam temas como identidade de gênero, com destaque para a transmasculinidade, e assédio sexual praticado no ambiente escolar, além da identificação da violência sexual pela própria escola. “Os temas foram escolhidos a partir das realidades vivenciadas pelos próprios estudantes. Isso demonstra que a educação sexual é essencial para compreender e lidar com as experiências que fazem parte da vida cotidiana”, defende Nicole.

Como acessar os conteúdos produzidos pelas e pelos estudantes?

Os conteúdos produzidos pelos estudantes que participam da 2ª edição do Narrar Para Transgredir, assim como os realizados na 1ª edição, são disponibilizados no site oficial do projeto.

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
MARCIA DANIELA PIANARO VALENGA
[email protected]


FONTE: Portal Catarinas
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