A ideia de “fidelidade corporativa”, por décadas sinônimo de estabilidade e tempo de casa, está perdendo espaço para um novo modelo de vínculo no mundo do trabalho. O conceito de “profissionais líquidos”, caracterizado por aqueles que transitam entre diferentes funções, projetos e formatos de contrato, vem surgindo no ambiente corporativo reforçando a valorização da flexibilidade, do propósito e do aprendizado constante.
Tal movimento de carreira é atrelado a um comportamento que reflete uma mudança cultural profunda na forma como as pessoas se relacionam com as organizações. É o que aponta Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, empresa de recrutamento e seleção. Para ele, essa prática não é falta de compromisso, mas sim uma nova forma de estruturar carreira, baseada em autonomia e diversidade de experiências.
“Ser um profissional líquido significa ter a capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças e de gerar valor em diferentes contextos. É alguém que não se define por um cargo, mas por sua capacidade de contribuição, deslocando o foco da estabilidade para a relevância. Muitos desses profissionais atuam em mais de uma empresa simultaneamente, combinando vínculos formais, consultorias e projetos independentes”, explica o CEO.
Segundo a Pesquisa de Tendências 2025 da Catho, 42% dos profissionais pretendem fazer migração de carreira ainda esse ano e 13% acreditam que o aumento do trabalho por projetos e freelancer (trabalhador autônomo) estarão entre as tendências em alta em 2025. Além disso, ser trabalho híbrido ou totalmente remoto é considerado por 20% dos respondentes motivações para buscar um novo emprego.
“A fidelidade corporativa, entendida como permanência longa em uma mesma empresa, deu lugar a uma fidelidade baseada em valores e propósito. Hoje, o vínculo não é medido em tempo, mas em intensidade e contribuição. O profissional líquido é leal a projetos e causas que o inspiram, não necessariamente a estruturas fixas”, complementa Elcio.
Esse cenário desafia o papel tradicional do RH, que precisa aprender a diferenciar liquidez saudável de instabilidade organizacional. Ainda conforme o especialista, a primeira é fruto de movimentações conscientes e planejadas, quando o colaborador conclui um ciclo e busca novos desafios para expandir seu repertório. Já a segunda decorre de frustração, desalinhamento ou ausência de propósito.
“Para manter o engajamento em um ambiente cada vez mais fluido, as empresas precisam, primeiramente, revisar suas práticas. O pertencimento não se constrói mais pela obrigação de permanecer, mas pela vontade de participar. Organizações que adotam modelos baseados em confiança e coautoria, com lideranças humanas e propósito claro, conseguem inspirar até os profissionais temporários ou autônomos. O futuro do RH, portanto, não será sobre reter talentos, mas sobre construir relações significativas, mesmo que sejam breves”, conclui o CEO da Heach Recursos Humanos.
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GIOVANNA REBELO ALVES
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