Dívidas crescentes e crise financeira desafiam clubes de futebol; especialista aponta caminhos jurídicos para recuperação
DAVID FLORIM
21/10/2025 09h44 - Atualizado há 1 mês
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O futebol brasileiro vive um momento de profunda transformação na gestão de seus clubes. Cada vez mais, as dívidas acumuladas e a falta de planejamento financeiro colocam em risco a sobrevivência de instituições históricas. Enquanto alguns times buscam na formação de Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) uma saída para retomar o equilíbrio e o protagonismo, outros ainda enfrentam crises severas e dívidas recordes. Um dos casos mais recentes de reestruturação é o do Vasco da Gama, que teve sua recuperação judicial aprovada pela Justiça. O clube tenta reorganizar suas obrigações financeiras e atrair novos investimentos, após se tornar uma SAF em 2022. O processo é visto como um modelo de sobrevivência diante da realidade de muitos clubes brasileiros. Em contrapartida, o Corinthians vive um cenário oposto. O clube atingiu dívida recorde, ultrapassando a casa dos R$ 2 bilhões, e enfrenta dificuldades para equilibrar receitas e despesas, o que levanta dúvidas sobre o futuro financeiro da instituição. Segundo o advogado Gianlucca Contiero Murari, especialista em direito empresarial e integrante do escritório Dosso Toledo Advogados, a situação dos clubes exige uma mudança de mentalidade na gestão esportiva. -“O modelo de administração tradicional, baseado em gestões amadoras e decisões políticas, se mostra insustentável. É preciso profissionalizar a gestão, adotar práticas de compliance e buscar alternativas jurídicas que permitam reestruturar as dívidas sem comprometer a operação do clube”, explica. Murari ressalta que acordos extrajudiciais podem ser um caminho viável e menos traumático para entidades esportivas com passivos elevados. -“Os acordos extrajudiciais oferecem uma forma de negociação mais célere e flexível, que evita longos processos judiciais e permite preservar a imagem institucional do clube. Em muitos casos, é possível chegar a um plano de pagamento escalonado e sustentável, sem recorrer à recuperação judicial”, afirma. O especialista lembra que o modelo de SAF, embora seja uma ferramenta importante, não é a única solução para os clubes endividados. -“Transformar-se em SAF pode atrair investimentos e melhorar a governança, mas o sucesso depende da qualidade da gestão e da transparência. Sem planejamento financeiro e jurídico adequado, o risco de repetição de erros permanece”, completa Murari. Para o advogado, o caso do Corinthians é emblemático e deve servir de alerta para outras instituições. - “A dívida bilionária é reflexo de anos de desorganização e ausência de planejamento. O clube precisa repensar sua estrutura administrativa e buscar, o quanto antes, instrumentos de negociação que evitem o agravamento do quadro. A reestruturação não é apenas financeira, mas de gestão”, conclui. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
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