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Com recorde histórico de médicos, gestão e empreendedorismo viram exigência na nova medicina brasileira

Brasil ultrapassa 635 mil profissionais em 2025 e acende alerta: sem visão empresarial, médicos podem perder espaço no mercado

THAISE GUIDINI
21/10/2025 09h32 - Atualizado há 1 mês
Com recorde histórico de médicos, gestão e empreendedorismo viram exigência na nova medicina brasileira
Freepik

Por muito tempo, bastava ao médico dominar a técnica e cuidar bem do paciente. O conhecimento científico e a excelência no atendimento eram vistos como os únicos pilares de uma carreira sólida. Mas essa era chegou ao fim. A prática clínica, isolada, já não é suficiente para sustentar uma trajetória estável e próspera na medicina moderna.

O mercado mudou e rápido. De acordo com o estudo Demografia Médica no Brasil 2025, elaborado pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB), o país ultrapassa, em 2025, a marca de 635,7 mil médicos em atividade. Esse número recorde acende um sinal de alerta: a concorrência disparou e exige que o profissional vá além do bisturi e do estetoscópio, dominando também gestão, liderança e empreendedorismo para manter sua relevância.

A projeção é ainda mais impressionante: até 2035, o Brasil deve superar 1 milhão de médicos ativos.

É nesse cenário que o cirurgião plástico Dr. Vinicius Julio Camargo propõe uma reflexão sobre o novo papel do médico. “Durante a formação médica, quase ninguém fala em administração, gestão de pessoas, finanças. O foco está, naturalmente, no paciente. Mas a realidade da prática clínica contemporânea tem mostrado que, para prosperar e garantir a sustentabilidade de sua atuação, o médico precisa ir além do jaleco e assumir também o papel de empresário”, afirma.

O médico defende que compreender o funcionamento do próprio negócio, dominar noções de finanças, liderança e usar dados para tomar decisões assertivas é fundamental. Para ele, o empreendedorismo médico não é antagônico à ética, mas uma extensão dela. A boa gestão, argumenta, também é uma forma de cuidar: garante sustentabilidade, melhora o atendimento e fortalece a relação com o paciente.

“Ser empresário na saúde não significa se afastar da vocação médica. Significa dar a ela estrutura, continuidade e propósito. A medicina é nobre, mas, para alcançar seu potencial máximo, é preciso cuidar não apenas das pessoas, mas também do ambiente onde elas são atendidas”, completa.

Em seu livro ‘Sucesso Além do Jaleco’, o cirurgião relata o momento em que percebeu que apenas o saber clínico não bastava. “Via colegas tecnicamente brilhantes enfrentando dificuldades, enquanto outros, com menos preparo técnico, prosperavam. A diferença estava na capacidade de administrar a própria carreira”, escreve.

Para ele, o desafio de “tirar o jaleco e vestir o CNPJ” resume a transição que define a nova medicina brasileira: mais ampla, mais diversa e cada vez mais exigente em termos de gestão. “Em um país que caminha para ter mais de 1 milhão de médicos em pouco mais de uma década, a capacidade de unir técnica, gestão e propósito pode ser o diferencial entre sobreviver e prosperar na profissão”, finaliza.

Sobre Vinicius Camargo:

Dr. Vinicius Julio Camargo é médico cirurgião plástico, empreendedor e escritor. Atua como Diretor Técnico do Alda Instituto de Saúde. É sócio-fundador da Oxyneo® (primeira clínica de medicina hiperbárica do sudoeste do Paraná) e idealizador da plataforma Átrio, voltada à gestão de rotinas de atendimento e administrativas para clínicas multidisciplinares. É autor de dois livros e defensor da integração entre ética, gestão e excelência médica.


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THAISE VANESSA GUIDINI
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