A inteligência artificial (IA) já começou a transformar a prática da neurocirurgia no Brasil e no mundo. Ferramentas baseadas em algoritmos de aprendizado de máquina auxiliam médicos no diagnóstico, no planejamento e até na execução de cirurgias cerebrais de alta complexidade. A mudança promete mais precisão, menos riscos e recuperação mais rápida para os pacientes.
Segundo a neurocirurgiã Dra. Ingra Souza, que atua em cirurgias de crânio, coluna e dor, o impacto é comparável às grandes revoluções da medicina moderna. “A inteligência artificial não substitui o cirurgião. Ela amplia nossa capacidade de enxergar detalhes invisíveis e de atuar com mais segurança em regiões críticas do cérebro”, afirma.
Nos últimos anos, softwares de análise de imagem passaram a processar tomografias e ressonâncias magnéticas em segundos, identificando aneurismas, tumores e malformações com alto grau de precisão. O avanço permite que anomalias sejam detectadas em estágios iniciais, o que pode evitar complicações graves. “Alterações milimétricas que antes passavam despercebidas hoje são detectadas com antecedência. Isso muda completamente o planejamento cirúrgico”, explica a Dra. Ingra.
Outro avanço é o uso de modelos tridimensionais personalizados. A tecnologia cria um mapa virtual do cérebro do paciente e permite que o cirurgião simule o procedimento antes da operação. “Esses modelos nos ajudam a definir o trajeto mais seguro e reduzem o risco de lesões em áreas essenciais, como as relacionadas à fala e à visão”, detalha a especialista.
Durante o ato cirúrgico, sistemas digitais e robóticos com suporte de IA acompanham em tempo real o posicionamento dos instrumentos e os tecidos cerebrais, corrigindo trajetórias e antecipando riscos. O resultado é uma cirurgia menos invasiva, com menor tempo de internação e de recuperação. Em alguns hospitais, a tecnologia também é usada para interpretar sinais elétricos do cérebro enquanto o paciente é operado, permitindo ajustes imediatos.
Além das cirurgias, a inteligência artificial já começa a ser aplicada no tratamento de doenças neurológicas como epilepsia e Parkinson. Nesses casos, a IA é usada na estimulação cerebral profunda (DBS), técnica que envia impulsos elétricos para regiões específicas do cérebro. A tecnologia ajusta automaticamente a intensidade da estimulação conforme a resposta do paciente, tornando o tratamento mais personalizado.
Apesar do avanço, a Dra. Ingra ressalta que o uso da IA na medicina exige responsabilidade e regulação. “Ainda precisamos discutir questões éticas e de segurança, especialmente sobre os dados dos pacientes e a validação científica dos algoritmos. A tecnologia só tem valor quando é usada de forma segura e acessível”, pontua.
A neurocirurgiã acredita que, mais do que uma revolução tecnológica, a IA marca uma mudança de paradigma na forma de exercer a medicina. “As máquinas não substituem a empatia nem o julgamento clínico. O futuro será construído na parceria entre o raciocínio humano e a precisão digital. O bisturi e o algoritmo agora caminham juntos”, conclui.
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PAULO NOVAIS PACHECO
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