O mercado financeiro brasileiro começou a semana sob forte turbulência após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada no segundo turno das eleições presidenciais, realizado neste domingo (25).
Na manhã desta segunda-feira, 26 de outubro de 2026, o dólar disparou e chegou a ser negociado a R$ 5,60, uma valorização de aproximadamente 12,5% em relação ao fechamento da última sexta-feira (23).
A forte oscilação representa uma mudança significativa no comportamento do mercado, que vinha registrando valorização do real nas semanas anteriores à votação.
A Bolsa de Valores brasileira também foi atingida pela reação dos investidores, chegando a acionar o mecanismo de interrupção temporária das negociações, conhecido como circuit breaker, após uma queda de 10% no Ibovespa.
Dólar salta de R$ 4,99 para R$ 5,60
Na sexta-feira (23), último dia de negociações antes do segundo turno, o dólar comercial encerrou o pregão próximo de R$ 4,99.
Com a confirmação da vitória de Lula, a moeda norte-americana começou a apresentar forte valorização ainda na noite de domingo, durante negociações internacionais.
Na abertura do mercado brasileiro, nesta segunda-feira (26), o dólar já apresentava alta superior a 8%, sendo negociado próximo de R$ 5,42.
A valorização se intensificou durante a manhã.
Por volta das 9h30, a cotação chegou a R$ 5,605, com alta de 12,52%, segundo dados divulgados pelo Poder360.
Já às 10h14, o dólar era negociado próximo de R$ 5,58, com valorização de 11,77%.
Os números representam cotações intradiárias, que podem mudar até o encerramento do mercado.
Por que o dólar subiu após a vitória de Lula?
A disparada da moeda norte-americana está relacionada à reação dos investidores ao resultado das eleições presidenciais.
Nas últimas semanas, parte significativa do mercado financeiro trabalhava com a expectativa de vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia terminado o primeiro turno à frente de Lula.
Com a virada eleitoral e a confirmação da reeleição do atual presidente, investidores passaram a rever suas posições no mercado brasileiro.
Entre os principais fatores apontados por analistas estão as dúvidas sobre o equilíbrio das contas públicas, o crescimento da dívida do governo e a condução da política fiscal durante o próximo mandato.
A preocupação está relacionada à possibilidade de aumento das despesas públicas e à capacidade do governo de manter uma trajetória sustentável para o endividamento do país.
A reação também reflete o ajuste de expectativas após um resultado eleitoral diferente daquele considerado mais provável por muitos participantes do mercado.
É importante destacar que a alta do dólar não depende exclusivamente do resultado eleitoral. A cotação também é influenciada por fatores internacionais, juros, expectativas econômicas e movimentos de compra e venda de moedas.
Lula vence Flávio Bolsonaro e conquista quarto mandato
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito neste domingo (25), após uma disputa acirrada no segundo turno.
De acordo com os resultados oficiais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos.
Seu adversário, Flávio Bolsonaro, terminou a disputa com 59.826.041 votos, ou 48,21%.
Com a vitória, Lula conquistou seu quarto mandato como presidente da República, após governar o país entre 2003 e 2010 e retornar ao Palácio do Planalto em 2023.
O novo mandato terá início em 1º de janeiro de 2027.
Bolsa brasileira também registra forte queda
A reação negativa não ficou restrita ao mercado de câmbio.
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, apresentou forte desvalorização nesta segunda-feira, levando a B3 a acionar o circuit breaker.
O mecanismo é utilizado em momentos de oscilações extremas e prevê uma interrupção temporária das negociações quando o índice registra uma queda de 10% em relação ao fechamento anterior.
O objetivo é reduzir movimentos desordenados e permitir que os investidores reavaliem suas decisões.
As ações de grandes empresas brasileiras também sofreram pressão, especialmente no setor financeiro e entre companhias negociadas no mercado internacional.
Alta do dólar pode afetar preços no Brasil?
A valorização do dólar pode provocar reflexos na economia brasileira, especialmente se permanecer elevada por um período prolongado.
Entre os possíveis impactos estão:
- Combustíveis: a cotação internacional do petróleo e o câmbio podem influenciar os custos do setor.
- Alimentos: produtos e insumos ligados ao mercado internacional podem sofrer pressão de preços.
- Eletrônicos: celulares, computadores e equipamentos importados podem ficar mais caros.
- Viagens internacionais: passagens, hospedagens e compras no exterior tendem a exigir mais reais.
- Inflação: uma alta persistente do dólar pode aumentar os custos de importação e produção.
Esses efeitos não são necessariamente imediatos. A intensidade depende do tempo de permanência do dólar em patamares elevados, das condições de mercado e das decisões das empresas.
Banco Central pede cautela sobre os impactos
O Banco Central do Brasil adotou um posicionamento cauteloso diante da disparada do dólar.
O chefe do Departamento de Estatísticas da instituição, Fernando Rocha, afirmou nesta segunda-feira (26) que ainda é cedo para determinar os efeitos definitivos da reação do mercado.
Segundo ele, é necessário aguardar mais tempo para compreender como o câmbio vai se comportar diante das decisões econômicas, das políticas governamentais e dos indicadores de atividade.
A avaliação indica que parte da desvalorização do real poderá ser revertida, embora ainda não seja possível prever a intensidade ou a duração do movimento.
Mercado acompanha próximos passos do governo
Após a reeleição de Lula, investidores devem acompanhar especialmente os sinais do governo sobre o controle de gastos, o orçamento público e a política econômica para os próximos quatro anos.
A definição das prioridades fiscais e as declarações da equipe econômica poderão influenciar o comportamento do dólar, dos juros e da Bolsa nas próximas sessões.
A disparada do dólar nesta segunda-feira marca a primeira grande reação do mercado financeiro à reeleição presidencial, mas ainda não permite determinar como a moeda se comportará nos próximos meses.
Matéria atualizada com informações disponíveis até o início da tarde de segunda-feira, 26 de outubro de 2026. As cotações apresentadas são registros da manhã e não representam o fechamento do dia.
