Disco nasce no Rio de Janeiro a partir das memórias de rodas de samba e choro, vivências na quadra da Portela e influência artística do avô da cantora
A cantora carioca Júlia Fialho apresenta seu primeiro álbum, “Feita de Paixão e Boemia”, projeto construído a partir de composições de seu avô, o artista plástico, poeta e compositor Renato Fialho. Com sete faixas, o álbum transforma em repertório a relação com a música brasileira construída por Júlia desde a infância, entre rodas de samba e choro, encontros musicais e vivências na cultura carioca. “Feita de Paixão e Boemia” chega às plataformas digitais nesta quinta-feira, 10, acompanhado por um show no Centro da Música Carioca Artur da Távola, na Tijuca, Rio de Janeiro, às 19h. Faça o pré-save de “Feita de Paixão e Boemia”.
A ideia do álbum nasceu da vontade de Júlia de registrar parte da extensa produção musical do avô. Aos 90 anos quando o processo começou, Renato tinha um vasto acervo de composições e continuava criando novas canções. A seleção das faixas, portanto, surgiu pela abundância de material. Júlia fez uma pré-seleção e contou com a participação do próprio avô na escolha do repertório, buscando também que ele acompanhasse e se sentisse realizado com o projeto.
“Desde a infância eu tive o privilégio de ver meu avô criar, tanto como artista plástico, que foi inclusive premiado pelo Salão Nacional de Belas Artes, quanto como poeta e compositor. Ele é habilidoso para as artes, e pelo que ele conta, foi assim desde pequeno. Crescer sob a influência de alguém tão criativo e tão generoso me deu uma abertura e uma inclinação para o mundo das artes desde cedo”, conta Júlia.
Embora não toque instrumentos, Renato desenvolveu uma relação profunda com a música ao longo da vida. Sua formação musical passou pelas ruas do Rio, pelo carnaval, pelos blocos, bares e escolas de samba, além das rodas de samba que promovia em sua própria casa, em Jacarepaguá. Os encontros “Segunda sem lei”, às segundas-feiras, e “Papo Fialho”, às quartas, reuniram nomes como Guaracy 7 Cordas, Zé Keti, Moacyr Luz, Ratinho, Argemiro da Portela, Clóvis 7 Cordas, Daniel 7 Cordas, Bandeira Brasil, Hilton do Candongueiro e Tereza Cristina, entre outros. Foi também em sua casa que o CD da Velha Guarda do Império Serrano foi gravado.
A relação de Renato com a composição inclui parcerias com nomes como David do Pandeiro e Argemiro Patrocínio, ambos ligados à Portela, além de Beto Fininho, Ibys Maceió, Rogério Bicudo e Ernesto Pires. No álbum, Júlia interpreta esse repertório ao lado de uma equipe formada por Iuri Bittar, Rafael Mallmith, Luis Barcelos, Marcus Thadeu e André Vercelino.
Para dar forma à sonoridade do projeto, Júlia convidou Luis Barcelos para assumir os arranjos e a produção musical. A parceria ganhou um significado especial pela admiração que Júlia e Renato tinham pelo trabalho realizado por Barcelos no álbum “Brigador”, de Ilessi. O músico esteve na casa de Renato durante o processo e, junto com Júlia, ajudou a definir as sete canções que entrariam no disco.
O título “Feita de Paixão e Boemia” vem justamente de uma das faixas do álbum, composta por Júlia e Renato. A canção nasceu quando Júlia apresentou ao avô uma segunda parte, a partir da qual ele criou a primeira. A frase que dá nome ao disco sintetiza, para a cantora, a influência dessa trajetória familiar em sua própria formação.
“Os momentos nas rodas de samba e choro, os momentos na quadra da Portela, foram muito importantes para mim e aconteceram graças a ele e minha vó. O samba era o habitat natural deles e onde meu coração aprendeu a fazer morada
