Virou caso de polícia: streamer que hostilizou João Victor Gonçalves é intimado

Jean Almeida Hilário, conhecido como GH Rell RJ, foi identificado e intimado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro; caso envolvendo o ator de “Quem Ama Cuida” é investigado pela Decradi.

Streamer GH Rell e João Victor
Reprodução

A hostilização sofrida pelo ator João Victor Gonçalves, de 24 anos, ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (7). A Polícia Civil do Rio de Janeiro identificou e intimou o streamer Jean Almeida Hilário, conhecido nas redes sociais como GH Rell RJ, após o episódio ocorrido nas proximidades do Rock in Rio 2026.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) e, segundo informações divulgadas pela imprensa, o procedimento segue sob sigilo. O streamer deverá prestar esclarecimentos sobre a abordagem feita ao ator.

João Victor Gonçalves, que atualmente interpreta Mau Mau na novela “Quem Ama Cuida”, da TV Globo, também deverá ser ouvido pela delegacia responsável pela investigação.

Entenda o caso

O episódio aconteceu na noite de sexta-feira (4), quando João Victor caminhava nas proximidades do Rock in Rio. O ator foi abordado por um grupo de jovens enquanto o streamer realizava uma transmissão ao vivo.

Nas imagens que viralizaram nas redes sociais, integrantes do grupo aparecem seguindo o ator e fazendo comentários depreciativos sobre sua aparência e a roupa que ele utilizava. Em determinado momento, um objeto lançado na direção de João Victor quase o atingiu.

João não respondeu às provocações durante a abordagem. Posteriormente, já nas redes sociais, falou sobre o ocorrido e classificou o episódio como uma agressão homofóbica. O ator também revelou que, durante a situação, inicialmente ficou com medo de estar sendo vítima de um assalto.

A repercussão ganhou ainda mais força pela semelhança entre a situação vivenciada pelo artista e a história de Mau Mau, seu personagem em “Quem Ama Cuida”, que também enfrenta situações de homofobia na trama.

Em um dos pronunciamentos após o episódio, João Victor afirmou que a situação não seria simplesmente esquecida e reforçou que deseja poder andar pelas ruas e expressar quem é sem sofrer preconceito.

Decradi abriu investigação

A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância decidiu abrir uma investigação após tomar conhecimento das imagens que circulavam pelas redes sociais.

Inicialmente, a Polícia Civil informou que não havia registro de ocorrência com aquelas características na delegacia da área, mas a repercussão das imagens levou a Decradi a iniciar a apuração.

O caso também chegou ao Ministério Público após a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) solicitar a apuração do episódio.

Agora, com a identificação e intimação do streamer, as autoridades avançam na coleta de depoimentos e demais elementos para determinar as circunstâncias da abordagem e eventuais responsabilidades.

Streamer pediu desculpas

Após a enorme repercussão negativa, GH Rell RJ publicou um pronunciamento nas redes sociais. O streamer pediu desculpas a João Victor e reconheceu que havia cometido um erro, mas negou ter tido intenção homofóbica.

Segundo ele, a abordagem teria sido feita na tentativa de produzir “entretenimento” durante a transmissão ao vivo. GH afirmou ainda que estava buscando conteúdo para movimentar a live.

A justificativa, porém, provocou ainda mais críticas nas redes sociais.

João Victor recebeu apoio de famosos

Desde que as imagens viralizaram, João Victor recebeu uma onda de solidariedade nas redes sociais. Personalidades como Eliana, Gil do Vigor, Marcos Mion, Liniker e Luana Piovani estiveram entre os nomes que manifestaram apoio ao ator.

O ator também recebeu manifestações de carinho do público durante sua passagem pelo Rock in Rio após a repercussão do caso. João Victor afirmou ter ficado emocionado com a dimensão do apoio recebido.

O episódio ainda provocou discussões nas redes sobre os limites de conteúdos produzidos para transmissões ao vivo e sobre a tentativa de justificar abordagens constrangedoras ou ofensivas como “entretenimento”.

A investigação da Decradi continua e deverá esclarecer as circunstâncias do episódio e se houve a prática de crime.

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