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Quando a dor vira propósito: mães transformam desafios pessoais em potência para outras famílias

O empreendedorismo feminino no Brasil segue em expansão acelerada: mais de 10,4 milhões de mulheres são donas de negócios no país, representando 34% dos empreendedores brasileiros. Desde 2020, o número de empreendedoras cresceu 38%, impulsionado pela busca por flexibilidade, autonomia financeira e, em 2025, também pela possibilidade do trabalho remoto e pela necessidade de renda complementar.

Mesmo diante dos avanços, desafios como acesso ao crédito, desigualdade salarial e a dificuldade de conciliar trabalho e maternidade seguem presentes. Ainda assim, mulheres continuam liderando iniciativas robustas: 82% abrem seus negócios com recursos próprios e 83% começam do zero, sem sócios. E fazem isso com eficiência: empreendimentos liderados por mulheres têm 20% menos inadimplência do que os comandados por homens, segundo a Serasa Experian.

Entre as histórias que mostram a força desse avanço estão mulheres que transformaram a própria dor em propósito — e o propósito em negócio.

A neuropsicopedagoga Silvia Kelly Bosi decidiu empreender após o diagnóstico de autismo da filha, Valentina. “Quando descobri o diagnóstico, precisei aprender sozinha a navegar por um mundo novo. Percebi que outras mães viviam o mesmo desamparo. Empreender virou meu compromisso com elas”, conta. Movida pela urgência de oferecer acolhimento e profissionalismo, Silvia fundou as Clínicas Potência, no Rio de Janeiro, onde atende dezenas de famílias e crianças atípicas.

A fonoaudióloga Angelika dos Santos Scheifer trilhou um caminho parecido. Durante a pandemia, seu filho mais velho Arthur apresentou atraso de fala — experiência que a levou a mergulhar ainda mais no estudo e na prática da intervenção precoce. Do processo nasceu o curso Manual da Fala, que hoje alcança milhares de mães no digital. “Transformei minha angústia em ferramenta de apoio para outras famílias. Ninguém deve enfrentar esse processo sozinho”, afirma.

Já Natália Lopes, fundadora do Voz das Mães, criou o projeto depois de enfrentar um percurso solitário em busca do diagnóstico do filho Vini, que possui uma estrutura corporal menor do que outras crianças da mesma idade. “Busquei respostas que não chegavam. Quando percebi que outras mães viviam o mesmo labirinto, decidi abrir caminhos para todas nós”, relata. Hoje, sua comunidade acolhe e informa mães atípicas em todo o país.

Os números reforçam o movimento: 46% das mulheres empreendem pela flexibilidade e 40% pela independência financeira. Os setores de serviços (45%) e comércio (43%) concentram a maior parte dos negócios femininos, áreas que acolhem iniciativas como as dessas três empreendedoras — negócios que unem experiência pessoal, impacto social e geração de renda.

Histórias como as de Silvia, Angelika e Natália mostram que, no Brasil, o empreendedorismo feminino não nasce apenas de oportunidades econômicas, mas também de vivências profundas. São mulheres que transformam desafios pessoais em soluções coletivas — e que fazem do cuidado uma força econômica crescente.

Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
JÚLIA KLAUS BOZZETTO
juliaklaus57@gmail.com

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