Radicado há mais de 15 anos nos Estados Unidos, Bruno Corano avalia a queda recente do dólar — que voltou a operar abaixo de R$ 5,30 nesta sexta — como um movimento desconectado dos fundamentos da economia brasileira. Para ele, a leitura de “otimismo” feita por parte do mercado não se sustenta quando analisados os fatores que impulsionam a moeda americana.
Segundo Corano, o real se aprecia muito mais por dinâmica externa do que por méritos domésticos. “Neste momento, o real está, de fato, se apreciando frente ao dólar. Porém, muito mais por um comportamento do dólar do que por uma competência ou mérito do próprio real”, afirma.
O economista explica que a movimentação vista no câmbio está ligada principalmente à expectativa global de corte de juros pelo Federal Reserve e ao enfraquecimento do dólar frente a outras moedas internacionais. “Nós podemos, logicamente, reconhecer que é uma tremenda janela de oportunidade para quem quer enviar dinheiro para fora do país. Mas não podemos ter a ilusão de que o Brasil tem condições de manter essa relação e essa proporcionalidade frente ao dólar”, afirma.
Corano ressalta que o atual patamar abre uma chance real para investidores que planejam remessas, diversificação ou formação de patrimônio no exterior, mas reforça que a janela é curta. “Infelizmente, é uma questão de tempo para essa janela se acabar.”
Para ele, o câmbio está vulnerável e pode inverter rapidamente. “Basta uma crise ou uma instabilidade”, afirma o economista, em referência tanto ao ambiente doméstico — marcado por incertezas fiscais — quanto ao cenário internacional sensível às decisões de política monetária.
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GEOFFREY PIPINO SCARMELOTE
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